Mostrando postagens com marcador Documentário/Reportagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Documentário/Reportagem. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

CARLOS DIAS FERNANDES (1874-1942) - poesia, vegetarianismo e anarquia!

   

 Carlos Augusto Furtado de Mendonça Dias Fernandes nasceu em 20 de Setembro de 1874 na cidade de Mamanguape, Paraíba. Exerceu as atividades de pedagogo e jornalista. Além disso, o escritor era completamente defensor dos animais publicando diversos artigos sobre o tema o que revela que era plenamente vegetariano, chegando a publicar o livro “Proteção aos Animais” em 1914. 

" Apresentava um aspecto juvenil de atleta, mantendo a forma através da ginástica sueca. Não fumava, nem bebia. Era alvo e corado, o cabelo esvoaçante, castanho claro." Osias Gomes 


     Em 26 de janeiro de 1917, Carlos Dias Fernandes comemorou a fundação da Sociedade Vegetariana Brasileira, sediada no Rio de Janeiro, e publicou matéria sobre o assunto:

“Vai ganhando surto em todo mundo civilizado o regime vegetariano como solução prática do problema moral, economico e therapeutico dos povos. (…) Vegetarianismo quer dizer vida de accôrdo com a natureza”


      Era muito admirado e respeitado, e justamente porque destoava da maioria. Não se importava com casamento formal, tinha uma dieta avessa à das pessoas com quem convivia, se vestia sem atender as normas sociais e possuía imensa bagagem cultural.

     Ao longo de anos realizou conferências e palestras sobre vegetarianismo, defendendo que a abstenção do consumo de alimentos de origem animal era o único meio de assegurar o respeito aos animais em um contexto moral e ético. E para reafirmar a sua posição, o autor apresentou argumentos envolvendo saúde e higiene, considerando-os imprescindíveis como ferramentas de convencimento.

      Controverso, Carlos Dias Fernandes chamou muita atenção quando publicou na edição de 5 de junho de 1918 do Jornal A União uma matéria em que defendeu fervorosamente a prática da medicina natural, confrontando laboratórios farmacêuticos. Também realizou uma grande conferência sobre feminismo em 1924, justificando que os direitos e deveres das mulheres precisavam estar de acordo com as suas aspirações, argumentando que as mulheres, de forma semelhante aos animais, eram subjugadas, privadas de liberdade.

      Frequentemente publicava no jornal A União, onde ele tinha total liberdade sobre o que escrever. Exemplos são três matérias veiculadas em agosto de 1916 sob o título “O Regime Vegetariano”, um desdobramento do que Fernandes já defendia no livro “Proteção aos Animais”, de 1914. Na obra, Fernandes, que não era religioso, cita religiões e crenças que endossam o papel do ser humano como protetor dos animais e da natureza. Polêmico, chegou a discutir com profissionais de saúde da época que defendiam o consumo de carne.

    Porém, foi a própria literatura que conduziu Carlos Dias Fernandes ao vegetarianismo. Ele deixou de consumir alimentos de origem animal depois de ler Liev Tolstói, Lord Byron e Jean-Jacques Rousseau. Conforme Amanda Galvíncio, Fernandes citava com frequência pensadores como Sócrates, Hipócrates e Plutarco, além de Buda e Jesus Cristo, principalmente em suas palestras.
Carlos Dias Fernandes tinha muita influência anarquista. Seus romances são bastante influenciados por ZOLA. O escritor também era amigo e companheiro de ideias da anarquista-feminista MARIA LACERDA DE MOURA, além de integrar junto com ela uma comissão a favor da liberdade do pedagogo anarquista espanhol FRANCISCO FERRER, assassinado tempos depois pelos franquistas. 
 O que também reafirma a influência do vegetarianismo na vida e na obra do poeta são seus personagens que não raramente eram animais. No geral, a natureza sempre foi um tema recorrente em seus poemas e contos. Em seus últimos versos, jamais publicados, os animais ainda ocupavam posição de destaque. 

Apesar de esquecido pela literatura que tanto amou, uma de suas frases mais famosas, sobrevive ao tempo: 

“Fazer mal aos animais é indício de mau-caráter”.


POESIAS:

01. Briário e Centímano 




Solitário coqueiro miserando,

Que as tormentas não deixam sossegar!

E, de contínuo, as palmas agitando

Pareces um vesânico a imprecar.



Desgraçada palmeira, como e quando

Irão teus pobres dias acabar;

E com eles ou teu destino infando

De cativo da Terra ao pé do Mar?



Hemos conformes nossos tristes fados.

Tu, germente Briaréu dos vendavais

Eu, Centímano de cem mil cuidados.



Um retorcido aos ventos outonais

Outro com os seus anelos sossobrados…

Nem sei qual de nós dois braceja mais.




02. CANÇÃO DA VESTA


Terra, estrella sem luz, de fecundas entranhas,

Dentro nas quaes o amor perpetuamente lida ; 

Planeta espheroidal, que no espaço acompanhas

O turbilhão dos soes ; fonte nunca exhaurida


Da seiva germinal—a essência diffundida
Na trama vascular de perfeições tamanhas
— Sejas bemdicta, ó mãe tellurica da vida,
Com os teus prados, vulcões, abysmos e montanhas.


Filho do flanco teu, voltarei consolado
Ao ventre maternal, para florir de novo ;
Quem sabe onde, como e em quê transubstanciado?


Atomb, esporo, embryão na gemmula de um ovo,
Que importa ? se homem, planta ou seixo inanimado,
Somos todos irmãos— teus filhos e teu povo."


03. OFERTÓRIO

Les idéales se succèdent, on les dépasse,
ils tombent en ruine, et puisque’il n’ y a pas
d’autre vie, s’est sur ces ruines encore
qu’il faut fonder un idéal dernier.
Th. Dostoievski

Foi por vós, catecúmenos sombrios
Da excelsa religião do sentimento,
Que de tudo num vago esquecimento
Vaguei da Morte pelos reinos frios;

Buscando a essência em flor do sentimento
Oculta nesses báratros sombrios,
Onde a voz tumular de ventos frios
Geme o salmo do eterno esquecimento.

Foi por vós que eu vivi nas outras vidas
As sensações secretas, doloridas,
Que sufocam os gritos na garganta.

E é por vós que a minh’alma aniquilada,
Nos sudários do Sonho amortalhada,
Das próprias ruínas ressurgindo, canta.


04. Tedium Teniae


Um tedio verde e uma sinistra hypocondria
Minavam de amargura os meus dias mortaes.
Pessimismo ou Amor? Arte ou Philosophia?
— Era uma Tenia solitaria e nada mais.

E eu nem siquer de tal cousa me apercebia.
Ó apparencias vãs, como nos enganaes!
Eu, em plena eclosão de vital energia,
Devorado em meu ser por helmynthos fecaes!...

Quem tal dissera, assim vendo-me sobranceiro,
Farfalhante e feliz como um rijo pinheiro,
Filho da solidão, principe vegetal?!...

Ah! Mas também a vós, árvores, vos devora
O xilophago roaz, que se gera e que mora
No caule, de onde brota o cheiroso copal.


05. URBS MEA


Ergue-te, que já vem repontando a alvorada.
Quem trouxe o fado teu, tarde ou nunca descança.
Eis-te na guerra, sus, alma tantalizada!
Cavalga o teu corcel, pega na tua lança.

Recomeça de novo a intérmina Cruzada,
Põe no teu amuleto as asas da Esperança;
Beija em face de Deus a cruz da tua espada
E de encontro a legião dos bárbaros avança.

E um assedio ! Vês : —Mouros por toda parte;
O Reyno de Aragão dos teus nobres cuidados
Presa dos Infiéis... Rompe-se o baluarte ;

Entra a mourama hostil... Solta ao vento os teus brados
E morre, proclamando o teu Symbolo d'Arte,
Na trágica invasão dos muros derrocados.


06. AS FLORES


Nascem tenros botões pelo ramo orvalhado.
Reveste a arvore toda um fulgor nupcial:
É a infloração, o recamo irisado
Das frondes—gonfalões da apothéose vernal.


Crysalida a sonhar no casulo fechado
Das sépalas, a flor—borboleta aromal —
As pétalas abriu á luz quente do prado,
Discerrando as juncções do invólucro floral.


Cada ramo se fez uma curva guirlanda,
E, das folhas por entre o verdoengo aranhol,
Voejam colibris numa alada siranda.


Sobem dulias de incenso ao concavo arrebol:
É a arvore, a bracejar, que pelos galhos rrtanda
Beijos de aroma ao ar, hymnos de aroma ao sol




DOCUMENTÁRIO






domingo, 11 de agosto de 2019

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Unleashed Noise Records Entrevista 11 ( Debie) 23 07 2019

A convidada desta vez foi a Debbie, conversamos sobre os seus projetos de bandas, a Mácula e a Agnosia, onde ela é baixista e também faz parte do selo/distro/coletivo Crust or Die, além disso falamos sobre o festival Faça Você Mesma e como é ser uma mina punk envolvida nestas atividades. Um bate papo incrível sobre feminismo, literatura, punk e seus futuros planos dentro do cenário. Apoio: @joakimdbk Crust or Die: https://web.facebook.com/CrustordieCo... Mácula: https://web.facebook.com/maculacrust/ Agnósia: https://web.facebook.com/Agnosiapunk/ Festival Faça Você Mesma: @facavocemesmafest Apoiase: https://apoia.se/unleashednoiserecscanal Loja Unleashed Noise Records: https://unleashednoiserecs.minestore....

Unleashed Noise Records Entrevista 09 - Marina Knup 11 de jun de 2019

A entrevistada desta vez foi a Marina Knup, responsável pela editora e selo Imprensa Marginal. Conversamos sobre os seus novos trabalhos com o documentário Viver Para Lutar e além desta conversa, também falamos sobre punk, anarquismo, feminismo, DIY e movimentações dentro do cenário punk! Entrevista e roteiro: Leandro Câmeras e edição: @joakimdbk Som Direto: N. Carvalho Trilha Sonora - Permanente Estado de Conflito - o que não mata, embrutece SEJA UM APOIADOR :https://apoia.se/unleashednoiserecscanal Loja Unleashed Noise Records: https://unleashednoiserecs.minestore.... Links: Imprensa Marginal: https://anarcopunk.org/imprensamarginal/ Do Morro Produções: https://www.facebook.com/domorroprodu... Livraria Africanidades: http://www.livrariafricanidades.com.br/ Kasa Ajeji: https://www.facebook.com/ajejikasa/

terça-feira, 7 de agosto de 2018

CICLOVIDA - Matt Feinstein e Loren Feinstein (2012?)

Ciclovida conta a história de um grupo de pequenos agricultores cearenses que atravessou a América do Sul pedalando por mais de dez mil km na campanha de resgate das sementes naturais.
Os viajantes documentaram adominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas.
O documentário foi escolhido o melhor documentário na categoria Conservação do Green Screen Environmental Festival Film/2010 e selecionado para o Blue Planet Film Festival em Los Angeles, EUA e Byron Bay Film Festival na Austrália.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A ILHA DAS FLORES (1989) - Jorge Furtado

Clássico absoluto! Considerado um dos 100 maiores curtas de todos os tempos!

Curta metragem do cineasta Jorge Furtado, apresentado pela Casa do Cinema de Porto Alegre. Retrata a realidade de um lugar chamado Ilha das Flores





A MATADEIRA (1994) - Jorge Furtado

Canudos foi uma pequena aldeia no nordeste do Brasil, fundada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro e massacrada por um poderoso exército até a morte do último de seus 30 mil habitantes, em 5 de outubro de 1897. O filme conta o massacre de Canudos a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de a matadeira, que foi transportado por vinte juntas de boi através do sertão para disparar um único tiro.

A Matadeira é um filme documentário brasileiro de curta-metragem escrito e dirigido por Jorge Furtado em 1994. Produção: Casa de Cinema de Porto Alegre


FAVELA GAY (2017) - Renata Almeida e Carlos Diegues

A homossexualidade dentro das favelas cariocas. Temas como homofobia, preconceito, trabalho e aceitação da família, a partir da perspectiva de gays e lésbicas, que contam seus cotidianos dentro da comunidade. Um retrato de como, apesar das adversidades, essas pessoas constroem suas próprias histórias através da educação, da arte e da política.


SURPLUS (2003) - Erik Gandini

Documentário mostra o lado obscuro dos regimes capitalista e socialista. Surplus, uma produção de 2003 do diretor Erik Gandini, mostra uma realidade cada vez mais aterrorizante que está totalmente banalizada nos dias de hoje. A de que o homem transformou-se em uma máquina de consumo e ganância que está destruindo o mundo e o tornando cada vez mais afásico e amoral. Erik Gandini nos apresenta um filme bastante intrigante no qual ele usa de uma estética diferente e moderna, com imagens e sons que praticamente transformam o filme em um vídeo-clipe, tornando-o visualmente interessante o que prende a atenção das pessoas, principalmente o público jovem, para que a mensagem seja apresentada de uma forma objetiva e clara desta situação da sociedade contemporânea.



PUNK: ATTITUDE (2005) - Don Letts

Punk: Attitude é um precioso documentário realizado pelo homem-multimídia Don Letts e lançado oficialmente em abril de 2005 no Tribeca Film Festival. O filme conta através de inúmeros depoimentos a história do punk – desde suas raízes com Velvet, Stooges, MC5 – e sua influência na música/cultura contemporânea. Entre os entrevistados há gente do calibre de Henry Rollins, Jim Jarmusch, Thurston Moore, Glenn Branca, Mick Jones, Wayne Kramer, Jello Biafra, Martin Rev, Legs McNeil, Ari Up e Lou Reed, entre vários outros. Tais depoimentos vem acompanhados de vídeos raros e imagens da época em que – por exemplo – um jovem Iggy Pop se contorcia no palco do Max’s Kansas City ou da turnê ‘vermelha’ do New York Dolls. Enfim, Punk: Attitude é uma aula de história com os melhores professores que se possa imaginar.



CRASS - There Is No Authority But Yourself (2006)- Alexander Oey.


O COMEÇO DO FIM DO MUNDO (1982)

Festival "O COMEÇO DO FIM DO MUNDO" SESC Pompéia, São Paulo, Brazil Dias 27 e 28 de novembro de 1982.


BOTINADA (2006) - Gastão Moreira


Documentary about the rise of punk rock in Brasil in the late 70's. An amazing and chaotic history. Botinada was released in 2006.

PUNK EM SÃO PAULO - Tv Gazeta (1983)

Documentário realizado pela TV Gazeta em 1983 sobre o movimento punk em São Paulo.






PUNKS (1983) - Sarah Yakhni e Alberto Gieco

O documentário mostra os punks paulistas e suas dificuldades, revoltas e ideais, a importância da música no universo de seus pensamentos. Entrevistas e imagens de shows de alguns grupos como Ratos de Porão, Inocentes e Fogo Cruzado, e os locais de encontro dos punks em São Paulo.


sábado, 28 de julho de 2018

ARUANDA (1960) - Linduarte Noronha

Década de 1960, Brasil. O registro da vida dentro do quilombo Olho d'Água da Serra do Talhado, em Santana do Sabugi, no estado da Paraíba, nordeste do Brasil, onde (sobre)vivem diversas famílias em situações e condições primitivas, uma vez que este quilombo está oficial e institucionalmente isolado do resto do território brasileiro.


CABRA MARCADO PARA MORRER (1984) - Eduardo Coutinho

O filme é uma narrativa semidocumental da vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962.
Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. O engenho da Galileia foi cercado por forças policiais. Parte da equipe foi presa sob a alegação de "comunismo", e o restante dispersou-se.
O trabalho foi retomado 17 anos depois, recolhendo-se depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também da viúva de João Pedro, Elizabeth Altino Teixeira, que desde dezembro de 1964 vivera na clandestinidade, separada dos filhos. Reconstruiu-se assim a história de João Pedro e das Ligas camponesas de Galiléia e de Sapé.[2]


ESTAMIRA (2005) - Marcos Prado

Estamira Gomes de Sousa (Estamira), conhecida por protagonizar documentário homônimo, foi uma senhora que apresentava distúrbios mentais, vivia e trabalhava (à época da produção do filme) no aterro sanitário de Jardim Gramacho, local que recebe os resíduosproduzidos na cidade do Rio de Janeiro. Tornou-se famosa pelo seu discurso filosófico, uma mistura de extrema lucidez e loucura, que abrangia temas como: a vida, Deus, o trabalho e reflexões existenciais acerca de si mesma e da sociedade dos homens. "Ela acreditava ter a missão de trazer os princípios éticos básicos para as pessoas que viviam fora do lixo onde ela viveu por 22 anos. Para ela, o verdadeiro lixo são os valores falidos em que vive a sociedade", comentou Marcos Prado, diretor do filme. O documentário "Estamira" teve repercussão internacional, angariando muitos prêmios e o reconhecimento da crítica.
Estamira, que sofria de diabetes, morreu aos 70 anos por consequência de uma septicemia,[1] ela foi internada no dia 26 de setembro por causa de uma infecção no braço, após dois dias no aguardo de atendimento no corredor do hospital, o quadro avançou para uma infecção generalizada, o qual ela não resistiu, ela faleceu no Hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 2011. Marcos Prado, diretor do documentário que retratou parte de sua vida cotidiana, lançou uma nota de pesar e lamentou o descaso que ele e Ernani, filho de Estamira, dizem ter sofrido Estamira, na nota entre outras Marcos Prado relata "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas! Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do nosso maravilhoso serviço público de saúde do Miguel Couto. Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".[2]


JORNADAS ANARCOPUNK (2020)