quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Relato: 1º Feira de Zines e Material Libertário


Relato: 1º Feira de Zines e Material Libertário


Relatos a respeito do Cine São José – Parte 1

1º FEIRA DE ZINES E MATERIAL LIBERTÁRIO

Como já foi citado em outro post ( link )  e é de conhecimento de quem vive em Campina Grande, o Cine São José foi um cine-teatro importante da cidade que encerrou suas atividades na década de 70, foi tombado como patrimônio histórico, ficou abandonado e em 2010 foi ocupado por estudantes e pelo movimento artístico-cultural campinense. Diversas atividades foram realizadas no espaço no ano em que aconteceu a ocupação, mas devido a vários fatores o espaço acabou ficando quase parado em 2011. Este ano as atividades foram retomadas e uma Feira de Zines e Material Libertário foi marcada para o mês de março.




A ocupação do Cine sempre foi um espaço aberto, sem burocracias e livre para qualquer atividade de contestação ou de fomento cultural. A ideia da feira de zines era algo que eu (vespa), Luan, Allan, entre outr@s, vínhamos conversando há algum tempo e que acabou sendo deixada para um futuro devido a outros eventos que foram surgindo. No mês de fevereiro juntou-se a fome com a vontade de comer e o Heresia Coletiva decidiu movimentar o Cine com a feira. Não somente a feira, também decidimos produzir um zine e lançá-lo no dia, distribuir mudas, fazer grafitagem, oficina de stencil e pra haver um diálogo mais direto esquematizamos uma troca de ideias a respeito de ocupação urbana.

 Marcada a data para o dia 31, o último sábado do mês de março, começamos a retomada da movimentação da ocupação. O que nos deparamos no local foi o descaso dos próprios membros do movimento, que haviam utilizado o prédio pela última vez em dezembro do ano anterior e o deixado em estado deplorável. Pulemos esta página. O Cine São José estava vivo novamente. Reuniões, conversas, produções, faxinas, conversas com a vizinhança e as pessoas que passam pela rua sempre parando para perguntar do antigo cinema e demonstrando apoio à ocupação.


Eis que faltando uma semana para o evento somos surpreendidos com uma atitude extrema partindo dos escritórios estatais: Muros foram erguidos nas portas do Cine São José. É claro que um atentado à cultura, à memória da cidade não seria tolerado. No mesmo dia em que o muro fora construído também veio abaixo. No dia seguinte voltaram a levantar muros e fechar todas as entradas no prédio. A argumentação da SUPLAN (superintendência de planejamento) do Governo do Estado da Paraíba é que a medida provisória de fechamento do prédio aconteceu para que este não fosse invadido por marginais que realizam assaltos à vizinhança e que também não viesse a ser depredado. Pura falácia. Desde que fora ocupado não há movimentação de assaltantes ou usuários de drogas no prédio, como argumenta o estado.

foto: 22/03/2012 - Muro levantado pela Suplan


foto: Marginais destruindo o Cine ?

Muros derrubados novamente, é hora de re-habitar o espaço – agora com uma faxina muito maior a ser feita, depois de encherem de argamassa as portas do Cine São José. Correrias para organizar a feira e decisões a serem tomadas.
No dia 31, um sábado com o céu limpo e o calor nas ruas repletas de pessoas e fumaça, são abertas as portas da ocupação e vemos um belo fluxo humano no local. Apareceram pessoas que não participaram da organização diretamente, mas que vieram contribuir trazendo seus próprios zines, uma ótima surpresa. 









Pela manhã amigos vieram olhar as atividades no local, muitas pessoas paravam ao passar na calçada e se deparar com plantas na porta e pessoas dentro do cinema. As tintas vieram colorir as paredes desgastadas pelo tempo e surgiu a Vaca Falante (levada por Abu, vulgo Wamberto) trazendo pastéis de soja e suco de uva por um precinho camarada. O zine Heresia Coletiva foi lançado, passado para tod@s que vinham olhar as publicações, assim como um zine sobre ditadura da moda produzido por Eduardo e zines feministas trazidos por Abigail. Várias mudas foram passadas para crescer em terras próximas ou distantes.







 A tarde houve mais visitas, produção de stencil e uma troca de ideias muito bacana a respeito de ocupação urbana e a própria situação do Cine São José. Um evento que conseguiu atingir seu objetivo: trazer vida para o prédio do Cine São José, passar publicações independentes a quem se interessar, cores cobrindo paredes marcadas pelo tempo, descontração, convivência, calor humano e ideias semeadas a respeito de como manter um espaço tão importante.


Pena que pessoas que sentem necessidade de marcar território quiseram deixar assinatura em um espaço que é meu, seu, de todos, e não há exclusividade para ninguém. Mas isso é apenas um detalhe. Seguimos em frente, passando por cima de todos os obstáculos que vierem a surgir.

Além das paredes coloridas, restaram apenas algumas poucas mudas ao fim do dia. Mas isso já é assunto para um outro post...



vespa

mais fotos no flickr: http://www.flickr.com/photos/luankleber/

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